Desafios das Mulheres na Ditadura e Consequências que Perduram Atualmente
- Sofia Sá Sodero
- 4 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
No dia 22 de maio de 2025, a ex-presidente Dilma Rousseff foi anistiada politicamente por suas ações durante o período ditatorial brasileiro. Esse marco retoma a reflexão acerca da violência sofrida pelas mulheres durante e após a Ditadura Militar, cujas consequências persistem atualmente e afetam a sociedade num todo.
O Sistema Repressivo e a Misoginia
O período da Ditadura é marcado por uma forte perseguição política e pela suspensão dos direitos humanos. No entanto, para as mulheres, a opressão era intensificada pela discriminação de gênero, sendo reforçados estereótipos femininos de submissão e dependência emocional, além do uso da maternidade para fragilizar as presas políticas.
Nos depoimentos prestados para a Comissão Nacional da Verdade (CNV) diversas vítimas relatam que apenas o fato de serem mulheres e estarem em meio aos protestos políticos já era considerado um “motivo justo” para as humilhações e torturas realizadas, visto que estavam saindo de suas “posições de esposa e mãe” para colaborar num ambiente predominado por homens. Essa referência era constantemente reforçada pelos torturadores para desestabilizar emocionalmente as militantes.
“Na questão da mulher, a coisa ficava pior [...] existia uma intenção da humilhação enquanto mulher.” Márcia Bassetto Paes relata, em depoimento prestado à CNV.
A maternidade também foi uma arma emocional grandemente utilizada pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) para fragilizar as mulheres. Isso não só adoecia as torturadas como levou ao enfraquecimento afetivo de diversas crianças da época. “Tive os meus filhos sequestrados e levados para sala de tortura, na Operação Bandeirante. A Janaina com cinco anos e o Edson, com quatro anos de idade”.
Feridas Abertas da Ditadura Militar
Durante e após o período ditatorial os níveis de inflação dispararam absurdamente, o país passava por uma onda de miséria e pobreza. Inúmeras mulheres tiveram de lidar com a instabilidade econômica que cercava suas famílias, além do agravamento da desigualdade social, levando a uma nova onda de preconceitos e dificuldades.
Mesmo aquelas que não estavam envolvidas diretamente com a oposição sofreram as consequências. Em alguns casos relatados ao CNV, donas de casa sofreram o luto e a dificuldade financeira decorrentes do desaparecimento não solucionado de seus maridos envolvidos politicamente.
Enquanto o país se recuperava dos danos econômicos e sociais, o Congresso Nacional buscava diminuir o impacto dos prejuízos gerados. Nessa tentativa surge a Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979, que concedia perdão aos crimes políticos cometidos durante o regime militar. Sua implementação não foi aceita positivamente pela população na época, mas atualmente é uma das principais responsáveis pela indenização de Dilma e outros opositores da Ditadura.
A Importância da Anistia de Dilma
O reconhecimento da tortura sofrida pela ex-presidente Dilma pela Comissão de Anistia foi considerada por Rodrigo Lentz, relator do caso, como uma “conquista democrática”. Foi um marco que visa superar os crimes cometidos no período ditatorial e a não-repetição de tais atos.
Esse acontecimento mantém viva a memória das vítimas e é um sinal positivo da institucionalidade brasileira em trabalhar o seu passado e reconhecer os danos causados à população naquele período. É uma conquista para militantes que assim como Dilma, foram cruelmente reprimidas e hoje ainda carregam consigo cicatrizes da época.
O professor Marco Antônio Teixeira, analisa que “O dinheiro, simbolicamente, é uma forma de reparar, mas também há uma questão histórica e pedagógica”. Ele reforça a necessidade da nova geração de compreender a seriedade das ações cometidas durante o período ditatorial, para que estas jamais sejam exaltadas e sim rejeitadas.



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