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Empreender com moda circular ajuda o bolso e o planeta.


“Escolher a moda circular não é só para economizar, é fazer uma escolha consciente de ajudar o planeta terra, a gente não precisa de mais roupa do que já está produzido.” Karen Gutierrez, dona do Breshop.


A Kantar IBOPE Media, braço latino da empresa líder global em inteligência de mídia indicou que a Pandemia tornou a sustentabilidade uma pauta mais importante para 62% do latino-americanos. E o mercado da moda com certeza foi afetado por essa mudança de pensamento, mas não de uma forma ruim, visto que a indústria da moda é a segunda mais poluidora do mundo (Global Fashion Agenda). 


Essa mudança de pensamento aparece muito mais na Geração Z, conhecida por sua consciência ambiental e social, que prefere consumir marcas que demonstram responsabilidade ambiental e contribuem para as comunidades locais (META E WGSN). E os brechós se encaixam perfeitamente nessa lógica, dar uma nova história para uma peça descartada, ajuda a diminuir resíduos do planeta e ainda garantem peças exclusivas e vintages para seus consumidores.


Marri Mamede, 20 anos, estudante de jornalismo pela Universidade de Brasília e entusiasta da moda sustentável, criou recentemente seu projeto “Volta a Moda”, uma página voltada para criação de conteúdo jornalístico sobre moda circular. Além de indicar brechós mundo afora, Marri faz questão de promover debates sobre o meio ambiente, como ter um consumo sustentável e mostrar a história de vida por trás de cada um dos brechós da página.

Marri escolhendo roupas em brechó na Europa. Fonte: Acervo pessoal de Marri Mamede.

Porém colocar essa ideia em prática, enquanto mulher, não foi tão fácil: “Criei um certo bloqueio de pensar que se eu fosse pro lado do jornalismo cultural ou de moda, que é o que eu gosto, eu não seria séria o suficiente ou jornalista o suficiente”. Marri explicou que foi uma ideia inconsciente que a segurou por um tempo, a visão da sociedade sobre moda, ou mesmo, conteúdos que só estimulam o consumo exacerbado a fizeram pensar que trabalhar com essa área não “mudaria o mundo".


“São áreas no geral mais ocupadas por jornalistas mulheres. Na própria visão comum, elas são vistas como menos sérias ou com um jornalismo mais fácil de ser feito. Foi algo muito inconsciente meu, pois sou uma pessoa muito feminista e militante, tudo que é pauta eu estou engajando. Então não é algo que eu pensaria propositalmente, mas eu lembro que era uma frustração muito grande, porque eu via o jornalismo esportivo com esse poder político e não via o jornalismo de moda assim também. E é claro que tem, ainda mais em um nicho de moda circular e sustentável, tem muita política envolvida nisso, tem jornalismo ambiental, político e até econômico, porque a moda circular molda o mercado de muitos lugares.” completa.


E ela costuma de fato visitar esses lugares, em sua mais recente viagem, a estudante fez questão de visitar brechós e feiras de moda sustentável pela Europa. “Lá fora a cultura de brechós é bem mais forte. Aqui, as pessoas compram no brechó porque é mais barato, lá as pessoas compram em brechós porque elas querem algo vintage, que elas não encontrariam em uma loja normal.”.


Sobre os empreendedores de brechós que Marri entrevista, ela ressalta que são pessoas com muito sonhos, que sempre quiseram trabalhar com moda e que viram na moda circular uma oportunidade de inserir pautas, importantes para o mundo, em seus corres. “Isso é muito lindo, sabe? falar com uma pessoa que faz o que ela ama, que ela acredita muito, que tem muito propósito”.

Como Karen Gutierrez, 35 anos, que começou na cozinha emprestada de seu amigo e hoje possui o Breshop há 9 anos.


KAREN GUTIERREZ

O Breshop veio para a Karen como um recomeço. Ela disse que precisava de uma oportunidade de trabalho, algo que mudasse a sua vida. Foi então que seu amigo ofereceu a cozinha da casa dele como loja para ela perseguir esse sonho. “Todo mundo tem peças paradas no guarda roupa, peças que não usam, que não combinam mais com o estilo, comecei vender e tudo foi se transformando, aquelas peças que não tinham mais serventia pra algumas pessoas, se tornavam úteis para outras”.


Por 6 meses o Breshop continuou ali, até que Karen decidiu investir 500 reais em um ponto comercial e levou seu brechó para uma garagem no Bairro Buraco Quente em Ouro Preto-MG. Ela conta que um dos motivos de ter dado tão certo seu empreendimento, além do apoio incondicional de sua mãe que hoje é dona da versão infantil do Breshop, foi a propaganda humanizada que ela fazia questão de fazer nas redes sociais. “Era raro, no ano de 2016, aparecer o rosto das pessoas nos stories [de contas comerciais] era algo diferente, humanizado. Gerou impacto em Ouro Preto, Mariana, Itabirito, Cachoeira do Campo e Belo Horizonte. Em uma época que não tinha envio, a propaganda humanizada fazia o povo comprar, eles tinham vontade de conhecer o Breshop.”.


Outras estratégias para crescer e se adaptar ao mercado durante esse anos de empreendimento, foram as lives e o Farm Day. No começo, as lives surgiram durante a pandemia e os clientes disputavam pelas peças que estavam à venda, quem respondesse mais rápido levava. Isso gerou nas pessoas a vontade de consumir o breshop. Já o Farm Day, Karen explica que consegue muitas peças dessa marca e que, querendo ou não, é uma marca da moda muito querida pelo público. Então, em vez de colocar as peças soltas na loja, uma vez por mês Karen e sua equipe de mais 6 pessoas organizam um dia para vender as peças Farm arrecadadas. “Infelizmente os clientes são fascinados com a marca por suas estampas autênticas, e onde a maré vai tocando a gente vai guiando o barco. É um grande sucesso pros brechós terem Farm, mas eu gosto de desmamar o cliente, existem outras marcas com qualidade melhor, então estou tentando trazer outras marcas pra dentro, porém é o que mais faz sucesso então é o foco.”.


Para além da sustentabilidade, Karen precisou superar desafios para conseguir ter o sucesso esperado com seu negócio. “Uma dificuldade foi não saber o que eu poderia fazer no mercado. Eu já me senti lesada por ser mulher e não entender muito bem, no início do Breshop eu me endividei e entrei no cheque especial, o banco negociou a dívida comigo várias vezes até virar uma bola de neve.” Ela conta que essa negociação de dívidas, pode ser vista como uma venda do bando, ela estaria comprando dívidas. E, por ser mulher, os gerentes imaginam que ela teria menos acesso a esse tipo de informação financeira. E foi o que aconteceu. “Até eu entender que não poderia ter aceitado essas negociações abusivas. Essas informações não chegam fáceis para mulheres, fui estudar sobre, tive que procurar e entender que a gente tem o poder de negociação de dívidas, sentar com os gerentes e falar: ‘não vou pagar, isso é abusivo’.”.


Hoje, mais de 9 anos depois, o Breshop vive uma nova fase em Lagoa Santa-MG. Desde o início, Karen se preocupou em aplicar o estilo de vida sustentável para além da vida profissional. As sacolas e caixas de sua loja são zero plasticidade e os móveis de sua casa são a maioria do topa-tudo. Aplicar a sustentabilidade em todas as áreas da vida transparece para os clientes o compromisso com a moda sustentável e com o planeta terra, mostra que não está ali apenas para vender roupas. O endereço mudou, mas a essência de Karen e o sucesso de seu negócio não ficaram para trás.



Matheus Rabello, 28 anos, e natural de Santos - SP, idealizou a página e o site do Brechó.com com sua equipe. A criação de conteúdo sobre moda sustentável já tem 2 anos e vontade de incluir peças vintage e circulares no dia a dia sempre esteve por lá. Porém, perceberam que não estava fácil encontrar brechós na região, então idealizaram um site-mapa de brechós no Brasil que está há 5 meses no ar como Brechó.com


O intuito é criar um ecossistema voltado para brechós e que se a pessoa precisar de um guia para encontrar suas peças únicas, eles sejam a primeira opção. “Queremos fazer do brechó mainstream, que quando forem comprar, pensem em brechós primeiro para depois pensar em varejo, é um desafio de longo prazo, mas estamos crescendo.”, diz Matheus.


Os próximos passos são entender sobre as necessidades dos brechós cadastrados em seu site e melhorar cada vez mais o site para atender a todos. Essa iniciativa ajuda, não só os consumidores a terem todas as opções em mãos, mas também os empreendedores a crescerem cada vez mais com a moda circular.


Por Gisele Santoli


 
 
 

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