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IOF: O imposto invisível que encarece a vida da Geração Z

Governo aumentou o tributo sobre operações financeiras em maio de 2025 e jovens devem sentir no bolso: de compras internacionais a transferências para o exterior, tudo ficou mais caro.

No fim de maio, o governo federal aumentou as alíquotas do IOF — o Imposto sobre Operações Financeiras — com a promessa de reforçar a arrecadação pública. Na prática, quem sente primeiro são os consumidores mais conectados com o digital e com o mercado global: a Geração Z. Compras em sites estrangeiros, viagens, câmbio, transferências internacionais e até pequenos financiamentos passam a carregar um custo extra. É o tipo de imposto que quase ninguém vê, mas que aparece direto no saldo final.

O que é IOF — e por que ele importa?

O IOF é um tributo federal que incide sobre operações como empréstimos, compras com cartão internacional, seguros, investimentos e câmbio. Ele existe para regular o mercado financeiro e gerar receita para o Estado, sendo aplicado diretamente sobre transações do dia a dia — mesmo que muita gente não perceba.

Isso significa que o IOF está embutido, por exemplo, quando alguém parcela um celular, envia dinheiro para fora do país ou compra passagens aéreas com cartão internacional. É um imposto silencioso, mas constante.

O que mudou a partir de 22 de maio:

No dia 22 de maio de 2025, o governo publicou um pacote de ajustes que elevou a alíquota do IOF em várias frentes. A justificativa oficial foi fiscal: aumentar a arrecadação em mais de R$ 20 bilhões no ano. Veja algumas das mudanças:

  • Compras internacionais com cartão: alíquota passou de 3,38% para 3,5%

  • Compra de moeda estrangeira em espécie: de 1,1% para 3,5%

  • Transferência de recursos para o exterior (inclusive contas próprias): agora com 3,5%

  • Empréstimos de curto prazo: aumento para até 3,5%

  • Crédito para empresas: subiu de 1,88% para até 3,95% ao ano

Os números parecem pequenos, mas em operações frequentes ou de maior valor, o impacto é direto e acumulativo.

Uma geração global, penalizada localmente

Para boa parte da Geração Z, o consumo e o trabalho estão cada vez mais internacionalizados. Seja comprando roupas em e-commerces asiáticos, fechando intercâmbio pelo celular ou pagando um curso online em dólar, a conexão com o exterior é parte da rotina.

É exatamente esse perfil que mais sofre com o aumento do IOF. O que antes cabia no orçamento estudantil, agora exige mais planejamento e, em alguns casos, desistência. Um intercâmbio ficou mais caro. Um freelancer pago por uma empresa de fora agora vale menos. Um investimento em curso ou aplicativo internacional pode sair do radar.

Não é só um reajuste técnico. É uma mudança que encarece planos e atrasa projetos.

O peso do detalhe

O IOF dificilmente vira assunto de conversa, e talvez por isso mesmo, passe batido. Mas sua presença silenciosa tem consequências. Com o novo aumento, o imposto se torna mais um obstáculo em uma fase da vida marcada por incertezas, falta de estabilidade financeira e início da vida adulta.

A geração que mais se conecta com o mundo é também a que mais paga o preço por isso.


Por Rebecca Briganti

 
 
 

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