Namorar: um complemento ou suplemento nas nossas vidas?
- Sofia Sá Sodero
- 20 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Vivemos numa época em que estar num relacionamento parece obrigatório. Mas e se aprendêssemos a ver o namoro como um bônus — e não como uma salvação?
Ah, o dia dos namorados! Enquanto algumas pessoas ganham flores, chocolate e textão no Instagram, outras ganham... um lembrete de que estão solteiras (de novo). Mas calma, isso não é uma tragédia, aliás, pode até ser um alívio. Afinal, tem muita gente entrando em relacionamento não por escolha, mas por necessidade.
E é aí que entra a grande questão: namorar é um complemento ou um suplemento? Se for complemento, o relacionamento acrescenta, mas você já se sentia bem antes dele existir, aprecia um tempinho sozinha de vez em quando e sabe quem você é fora da relação. Agora, se vira suplemento, tipo vitamina emocional, talvez o buraco seja mais embaixo. Porque aí a relação não é mais uma escolha saudável, e sim uma forma de tapar um vazio interno.
Sabe aquela pessoa que perde a identidade quando começa a namorar? Pois é, isso é um sinal clássico de quando o namoro vira um suplemento emocional. Talvez você já tenha ouvido, em algum momento, aquela velha ideia de que “o homem namora quando quer, e a mulher quando consegue”. Soa muito Café Com Teu Pai, né? Essa percepção é extremamente problemática, mas o pior é que ainda tem muita mulher vivendo nessa lógica. Para "conseguir" um namorado, ela se adapta para caber num relacionamento.
Muitas meninas entram em namoro como quem pega o último ônibus da noite: não era bem o que ela queria, mas “vai que é a única chance?”. Como se o amor fosse uma oportunidade rara que, se você não agarra, perde. E aí acham que não têm direito de esperar por algo melhor, mais leve, mais bonito. Mas namoro não é prêmio, é escolha. É amor, não urgência. E você tem, sim, o poder de dizer não pra quem não soma, não pra quem te apaga — e sim pra si mesma, antes de tudo.
Vamos deixar o problema mais claro: se o namoro passa a ser sua personalidade, já não é amor, é sobrecarga. A psicóloga e terapeuta de casais, Nilmara Caroline, explica que se relacionar dá trabalho, assim como tudo na vida, mas existe uma linha entre se esforçar e se sacrificar. “Quando eu me esforço, eu escolho fazer concessões para agradar o outro em nome da importância que essa pessoa tem para mim. Agora, o sacrifício é abdicar de quem você é”. Segundo ela, esse comportamento é mais comum do que parece — principalmente entre mulheres. “Elas se moldam, mudam hábitos, valores, crenças... tudo pra se encaixar no relacionamento do outro, só por medo de ficarem sozinhas. E aí acabam aceitando muito pouco, qualquer coisa. É uma realidade muito triste”.
Tem gente que mergulha tão fundo na relação que se afoga em expectativas, em planos, em dedicação total. Faz do outro um projeto de felicidade, e se esquece de si. É o tal do suplemento emocional que estamos falando, mas disfarçado de “entrega”. Quando você deposita tudo no parceiro — autoestima, segurança, propósito — qualquer deslize vira crise. Não estamos falando sobre "namoro em excesso faz mal", mas sim sobre essa ideia de que o namoro tem que suprir tudo, resolver tudo, te dar tudo.
No fim das contas, amor de verdade não te completa, porque você já está inteira, mas te transborda. Se você está solteira agora, que bom, isso também é amor. Amor por si mesma e pelos próprios ciclos. Se está namorando, que seja leve, que te respeite, que te acompanhe e não te anule. Porque quando o namoro vira suplemento, a gente se perde tentando se preencher. Mas quando é complemento, ele só soma ao que já é bonito em você.
Por Júlia Alves




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